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Empresas com Espírito
*Por Oscar Motomura
Algumas empresas são respeitadas
pela vanguarda em tecnologia. Outras são respeitadas pelo
equilíbrio entre o técnico e o humano. Entre estas há aquelas
em que o lado humano acontece pelo técnico. Ou seja, todas as
tecnologias humanas são utilizadas com grande eficiência.
Estão na vanguarda da “mecânica” do humano, mas não pela sua
essência. Há, entretanto, aquelas em que o humano não é algo
tecnológico. São empresas com espírito. A essência do humano
está lá, viva, pulsante, de forma natural, genuína. Uma
essência não-visível, não-tangível, não-expressa em sistemas,
tecnologias, técnicas... Mas que é sentida pelos
colaboradores, pelos fornecedores, pelos clientes. Algo que
está no ambiente, no “clima”, na atmosfera da empresa e em
tudo que nela se faz, se diz, se pensa até. Pessoas com
atitudes construtivas, um interesse genuíno de ser útil, de
servir, de contribuir para os clientes e para todos que
estarão, direta ou indiretamente, utilizando-se dos produtos e
serviços gerados.
Nas organizações com espírito as
pessoas são mais que “colegas”, são amigos. Há um clima de
camaradagem entre todos, sem qualquer tipo de separação, sem
feudos, sem exclusão de quem quer que seja. As pessoas se
conhecem profundamente. E, por isso, são capazes de se
compreenderem e, assim, relevarem as pequenas diferenças de
estilo, de personalidade, no jeito de se comunicar e até
demonstrarem, ou não, suas emoções e sentimentos. E é por
causa desse nível de compreensão que nessas organizações há,
além de um verdadeiro espírito de corpo, excepcionais níveis
de motivação coletiva.
Qual é o efeito de tudo isso no
desempenho das empresas, nos resultados que elas conseguem?
Óbvio? Nem tanto... Porque se assim fosse, teríamos muito mais
empresas nesse nível de perfeição como equipe, como grupo de
efetivos amigos. Então, o que parece impedir que mais
organizações tenham esse tipo de motivação, animação, energia?
Excesso da cultura do técnico
que traz frieza aos processos humanos? A premissa de que muita
amizade prejudica a lógica que deve prevalecer nos negócios?
Estilos de liderança baseados em comando e controle que tendem
a abafar a criatividade e a espontaneidade das pessoas?
A crença de que a organização de
sucesso é aquela que “funciona como uma máquina bem azeitada”
e na qual o técnico é tudo...?
Óbvio é falar da
importância das pessoas nas organizações. Menos óbvio, mais
sutil, menos vezes percebido e praticado, é compreender que o
espírito das empresas não está nas pessoas, mas na motivação
delas. Em quantas organizações no país temos pessoas motivadas
o tempo todo, e não somente nos dois, três dias que se seguem
a um aumento salarial ou ao pagamento de um bônus? Ou seja, em
quantas organizações a motivação é sustentável, algo inerente
ao seu jeito de ser e não o resultado de “espasmos” gerados
por estímulos artificiais?
Esse nível de motivação
sustentável só é possível em organizações em que o propósito,
sua razão de existir, seja nobre. São organizações em que
todos sabem que trabalham para o bem comum, para a sociedade
como um todo, que estão construindo um legado para as futuras
gerações.
E é essa consciência que faz as
pessoas darem o melhor de si gerando excepcionais níveis de
qualidade em tudo que fazem. Uma qualidade não-mecânica, não
somente “da técnica pela técnica”. Mas uma qualidade gerada
pelo simples interesse pelo bem-estar de quem vai usar o
produto ou serviço final.
O que aconteceria em nosso país
e no mundo se mais e mais organizações, tanto no setor
empresarial, como no governamental e no terceiro setor,
TIVESSEM esse tipo de espírito e FIZESSEM o melhor, motivados
por propósitos nobres, pela busca do bem comum?
A tecnologia é sempre neutra. O
que potencializa seu valor é a intenção que está na base de
sua aplicação. O propósito. E é aí que está a essência das
organizações com espírito. E da vida de todos nós.
www.amana-key.com.br •
motomura@amana-key.com.br
*Oscar
Motomura, diretor geral da Amana-Key, empresa
especializada em inovações radicais em gestão.
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