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A luta contra o
tempo
Como resolver o
dilema entre a busca da excelência e a pressa que nos faz
ficar satisfeitos com o medíocre?
*Por Oscar Motomura
Sua organização busca o ótimo em
tudo o que faz ou não tem tempo para isso? Veja:
>>> Um membro do
Conselho de uma grande organização está frustrado. Sente
que há algo errado nas reuniões de que participa:
excesso de apresentações e de tópicos na pauta. O
diálogo propriamente dito é superficial. Quando o tema
finalmente aquece, é hora de terminar.
>>> Um governador de
Estado sente que está dando seu máximo, mas os
resultados estão longe do ideal. Percebe que está no
limite e precisa de novos referenciais para descobrir o
caminho a seguir. Não vê como fazê-lo. Sua agenda nada
mais comporta. Sente-se numa armadilha.
>>> Numa megaempresa, o
índice de acidentes está muito alto. A questão torna-se
prioritária. Muito se investe em tecnologia, mas as
estatísticas não se movem. E sua imagem vem sendo muito
afetada.
>>> Uma empresa
multinacional sente que perde terreno a cada dia.
Concorrentes inusitados, criados em garagens por jovens
de talento, surgem a cada dia. Parece impossível virar o
jogo.
O que essas histórias reais
têm em comum é o tempo. Tempo para se chegar a pontos de
excelência, ao ótimo.
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O
jovem talento que cria uma pequena empresa dispõe de
horas de reflexão que faltam a um líder de
corporação |
No caso do Conselho, alguns
tópicos nucleares podem exigir muito mais do que as duas
horas previstas. O essencial não é a quantidade ou qualidade
das apresentações, mas o diálogo sobre as propostas, as
conversações entre os membros, a forma de trabalhar os
conflitos.
Como líderes, estamos a fim
de investir nosso tempo em programas educacionais - até fora
da área de negócio - para fazer um update radical em nossos
referenciais? O governador investiu esse tempo e deu um
salto na qualidade de sua gestão. Resultado: inovações
radicais até no campo político e uma reeleição com índice
recorde de aprovação.
Temos tempo para investir
em mudança cultural? Que tal seis meses para criar as bases
da mudança, com mais de mil co-autores? E dois anos de
trabalho em comunicação e reeducação junto a dezenas de
milhares de pessoas para fazer acontecer a transformação da
cultura? Estamos dispostos a investir esse tempo para zerar
acidentes (resultado alcançado pela empresa citada neste
artigo), chegar a um padrão "sete sigma" de qualidade de
serviço ou a um novo jeito de atuar no mercado?
No caso dos jovens que
criam negócios do futuro, o que na verdade acontece são
conversas entre os próprios empreendedores que varam
madrugadas, muitas com a participação de potenciais
clientes. Muitos experimentos, erros... e mais conversas,
até chegar às melhores decisões e ao sucesso. Os líderes de
grandes empresas podem se dar ao luxo de investir tempo
diretamente em inovações, como os jovens? Têm esse "tempo de
qualidade" para investir?
Deixo ao leitor a equação:
como resolver o dilema entre a necessidade de buscar o ótimo
até para sobreviver e a crônica falta de tempo, que nos faz
ficar satisfeitos com o bom ou até com o medíocre? (Mais
sobre o tema na próxima coluna.)
www.amana-key.com.br •
motomura@amana-key.com.br
*Oscar
Motomura, diretor geral da Amana-Key, empresa
especializada em inovações radicais em gestão.
Fonte:
Revista Época Negócios
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