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Possível
Planejar a Vida? |
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Uma reflexão
sobre carreira e futuro pela perspectiva de gestão e
estratégia
*Por Oscar Motomura |
Cada vez mais freqüentemente
eu e minha sócia na Amana-Key – a Deise – somos procurados
informalmente por executivos e executivas de nosso
relacionamento para conversas sobre carreira, sobre o futuro,
sobre planos de vida. Outro dia, ficamos pensando sobre o
porquê disso… A resposta mais óbvia seria que isso é parte
natural de nossa especialidade: gestão, inovação, estratégia,
planejamento, futuro das organizações… futuro de carreiras.
A
outra – ainda óbvia – seria a conexão com o “Projeto Jovens”
da Amana-Key, seminários gratuitos para jovens adolescentes
sobre escolha profissional. A idéia seria que, na medida em
que orientamos jovens sobre planejamento de carreira e vida,
poderíamos também ajudar profissionais mesmo em estágios
avançados de carreira; porém, a menos óbvia seria aquela que
nos conecta ao nosso trabalho ligado à reinvenção de
organizações. Reinvenções, transformações radicais, saltos de
patamar, criação do inédito, rompimento com “receitas” do
passado, o início da construção do futuro – um futuro muito
diferente do hoje… Recriação de empresas, governos… reinvenção
de carreiras, criação de trabalhos inéditos, a busca de um
modo de viver muito diferente…
Independentemente das causas
dessa demanda, parece que há algo no ar… Muitas incertezas em
relação ao futuro? Uma forma de insatisfação, vaga, difícil de
definir? Tudo parece estar indo bem… Mas… e a sensação de
estar faltando algo? A impressão de ter alcançado um tipo de
sucesso efêmero, instável, algo que não irá durar?
Neste
artigo gostaria de pensar junto com os leitores sobre questões
que me são feitas mais freqüentemente pelas pessoas que me
procuram para trocar idéias sobre o futuro.
Vou desenvolver os
temas pensando em três tipos de leitor. O primeiro é o leitor
típico de Você S.A., profissionais com um mínimo de dez anos
de carreira. O segundo é o jovem que está em busca de
referenciais diferentes sobre o futuro. Algo diferente dos
tradicionais conselhos sobre carreiras mais promissoras etc.
Algo que ressoe lá dentro e não seja mais um dado no já
complexo mapa de análises lógico-racionais. O terceiro tipo de
leitor é o profissional que já chegou ao topo de sua carreira
e está fazendo um balanço de suas realizações e pensando sobre
a próxima carreira (ao invés de simplesmente se aposentar).
Por que esses três tipos de leitor? Porque lidamos com esses
três públicos e eles têm muito a oferecer, um ao outro, ao
evitar que se prendam nos “preconceitos” típicos de cada
estágio de vida e da geração à qual pertencem.
Questão 1: Estou bem, mas…
Muitas pessoas chegam com uma
sensação de que há “algo errado” nas conversas sobre carreira
e futuro. Seria por que essas conversas parecem não bater com
a “realidade lá fora”? Alguma relação entre “carreira de
sucesso” com o que parece não funcionar na sociedade?
Violência, guerras, corrupção, desigualdades, problemas em
educação, saúde, meio ambiente, segurança, necessidades não-atendidas/mal-atendidas da sociedade… O que tudo isso tem a
ver com “carreira”? O “algo errado” poderia ser um tipo de
desconexão, alienação? Estaríamos todos nós presos num tipo de
jogo que segrega, separa, fragmenta? Quantos de nós estamos
conscientes de que vivemos dentro de um jogo, um megajogo; na
verdade, jogos dentro de jogos, supercomplexos, cheios de
paradoxos e distorções?
O “algo errado” poderia ser a sensação
do jovem de que a discussão sobre profissões “que pagam mais”
nada tem a ver com o que ele gostaria de fazer, a vida que
gostaria de viver… O “algo errado” poderia ser a sensação do
executivo, da executiva, que precisa abrir mão de seus
valores, de suas convicções e até de sua ética para poder
subir na carreira, para ganhar pontos no jogo político que
acontece nos subterrâneos de muitas organizações. O “algo
errado” poderia estar na sensação de que essa não é a vida que
gostaria de estar vivendo… fazendo concessões atrás de
concessões e até sendo elogiado (por quem…?) pelo seu “jogo de
cintura”. O “algo errado” seria a pessoa chegar ao topo da
carreira depois de anos e anos de luta e, ao chegar lá,
sentir-se impotente para resolver as coisas do seu jeito… O
“algo errado” é a sensação de não conseguir viver a vida que
imaginara/sonhara….
O “algo errado” mais sutil seria, porém,
aquilo que nosso inconsciente está captando: a sensação de
estar de certa forma armadilhado num sistema, num grande faz
de conta que nos impede de viver com alta qualidade interna,
sem stress, sem ansiedades, sem medos, sem culpas, feliz, em
paz, curtindo cada momento, absolutamente inteiros em cada
relação, em cada contato, em tudo que fazemos.
É nessas horas,
em que nos sentimos armadilhados pelo “sistema”, que nos
fazemos perguntas de essência: O que estou fazendo com minha
vida?
Para que estou fazendo tudo isso? O que efetivamente
quero da vida? Obviamente, essas questões todas são também
aplicáveis a organizações. Em nossos trabalhos de reinvenção
de empresas, e mesmo instituições governamentais, a
questão-chave é a mesma: Para que nossa organização
existe? Qual nossa razão de ser? O que justifica nossa
existência?
Estamos armadilhados no sistema, no “grande jogo” e esquecemos
de nossa razão de ser ou estamos vivendo em linha com nossos
propósitos mais nucleares, sendo úteis e fazendo diferença na
sociedade?
O interessante aqui é registrar que, para a
organização se dispor a parar para pensar sobre essas questões
de essência, é preciso que alguém dentro dela (nem sempre a
pessoa no topo da pirâmide) queira fazer a reflexão acontecer.
Alguém que – como pessoa e como profissional – esteja em fase
de questionamento?
Mais interessante ainda é notar que, na
medida em que o diálogo começa, muitas outras pessoas com
questionamentos similares aparecem. São pessoas que têm
instantes de reflexão mais profundos sobre o que estão
fazendo. Flashes rápidos em meio ao turbilhão de coisas a
fazer no dia-a-dia.
O importante aqui é dedicar tempo de
qualidade para refletir sobre esses questionamentos. Não
deixar que sejam tão somente flashes que vêm e que vão. É o
caso de jovens que se reúnem aos fins de semana para conversar
sobre o tema. Que pesquisam, conversam com especialistas, vão
fundo e trazem subsídios que enriquecem os diálogos e fazem
todos evoluírem. A mesma coisa com executivos e governantes.
“Parar para pensar”, para questionar fundo, não se deixando
levar pelos que acreditam que “não há tempo para esse tipo de
coisa…” Auto-engano? Fuga? O que pode ser mais importante do
que a vida?
Há alguns anos, contratamos Peter Drucker e Gary
Hamel, dois expoentes internacionais do campo de gestão e
estratégia, e promovemos um debate entre os dois. O trecho
abaixo tem tudo a ver com o que estamos trabalhando nesta
parte do artigo e poderá ajudar em suas reflexões:
Gary Hamel: “Acho que, com a profissionalização da
administração e um foco quase que exclusivo nos acionistas,
perdemos o senso de que as empresas são mais do que apenas
negócios. Empresas existem para criar oportunidades e criar
coisas que melhorem a vida das pessoas. Empresas revolucionam
mercados…. Se olharmos para a História, veremos que todos os
revolucionários pretendiam melhorar a vida das pessoas.
Algumas vezes eles não faziam da maneira correta ou a doutrina
não era apropriada, mas todos faziam uma pergunta básica:
‘Como fazer diferença neste mundo?’ Tratamos freqüentemente
nossos funcionários como ‘cachorros de Pavlov’ na premissa de
que, se lhes dermos os incentivos financeiros adequados,
podemos conseguir que façam qualquer coisa. É assim que, para
muitas pessoas, os negócios acabam se separando do resto da
vida. Acho que, na maioria das vezes, nas empresas
consideramos essa questão como algo técnico e não como algo
que envolve emoção, comprometimento e alma. Pelo menos é o que
vemos na minha própria área, pois as pessoas trazidas para
lidar com questões de estratégia são economistas,
engenheiros... Não encontro teólogos
em minha área, mas acredito que estratégia tem muito a ver com
a criação de significado e propósito. Não encontro
historiadores militares em minha área, mas a estratégia deve
2000 anos de conhecimento à área militar. Pouquíssimos são
antropólogos. Não fazemos a ligação, na maioria dos casos,
entre os negócios e o que toca uma pessoa em seu íntimo. A
responsabilidade é dos próprios executivos, mas também devo
assumir parte da responsabilidade, porque nas escolas de
administração não ensinamos que esse é um lado importante dos
negócios.”
Peter Drucker: “Se as pessoas não acreditam na
empresa, não acreditam no produto e não acreditam na
contribuição da empresa, não dará certo. De onde vem essa
crença? Gary mencionou o credo da Johnson & Johnson, que
basicamente é um código de ética: coisas que fazemos e coisas
que não fazemos. De onde vem essa crença? Em todos os casos,
se fizermos um rastreamento do passado, chegaremos a uma
pessoa, não necessariamente o fundador. Gary mencionou a
General Electric. Seu espírito básico foi estabelecido pelo
primeiro chefe do laboratório, no início do século, um físico
alemão que deu um enfoque técnico à crença de como a empresa
devia ser: ‘a líder em fazer a Ciência trabalhar para a
Humanidade’. Enquanto essa crença persistir, tudo vai
funcionar. A alma está na base da ascensão de uma de nossas
principais empresas financeiras, ainda de capital fechado.
Weinberg, o homem que construiu a Goldman Sachs, a principal
instituição financeira privada no mundo, acreditava
profundamente no empreendedor financeiro como agente não do
desenvolvimento econômico, mas do desenvolvimento humano. E
isso ainda caracteriza essa grande empresa e explica em grande
parte por que ela atrai e mantém tantas pessoas, e perde tão
poucas. Se você não tiver essa crença de que você faz
diferença – que você chama de alma – a crença de que você está
aqui com um propósito, que deixará um legado, que irá melhorar
o mundo ou, pelo menos, criar um mundo diferente, não vejo
como terá sucesso. O número de pessoas que são realmente
motivadas por dinheiro é muito pequeno. Há algumas pessoas
assim… todos conhecemos algumas… mas não são muitas. E, além
do mais, esse é um objetivo até fácil de atingir. Mas, ao
chegar lá; o que você faz com o resto de sua vida?”
Fazer
diferença em quê?
Veja abaixo um excerto do estudo da WRI –
World Resources Institute em conjunto com a ONU. Uma pequena
amostra nos “mercados” de amanhã? Sua carreira teria algo a
ver com essas projeções/constatações?
• A expansão da
população nas regiões em desenvolvimento criará grandes
mercados dominados por jovens.
• A riqueza global está
aumentando, mas cresce a distância entre ricos e pobres.
• Milhões permanecem desnutridos em meio à abundância de
alimentos.
• A expectativa de vida aumenta, mas doenças preveníveis
continuam a limitar o desenvolvimento.
• A educação básica se generaliza, mas muitos não têm acesso a
outras oportunidades de educação.
• A demanda crescente por energia impulsiona o desenvolvimento
econômico, mas ameaça o clima global.
• Os efluentes continuam a crescer apesar da melhoria da
eficiência no uso de energia e de materiais. Poluição continua
a ser um desafio global.
• A produção de alimentos é a base de muitas economias, mas
ameaça os ecossistemas dos quais depende.
• A água potável se torna cada vez mais escassa em meio a
necessidades humanas conflitantes.
• Mais de metade dos cidadãos do mundo nunca usaram telefone,
7% têm acesso a um computador pessoal e apenas 4% têm acesso à
Internet.
• Na medida em que as economias se tornam mais baseadas em
serviços, as mulheres tornam-se uma parte em crescimento da força de trabalho formal.
• A sociedade civil cobra maior responsabilidade e
transparência de empresas e governo.
Questão 2: Quero mudar, mas…
Na medida em que “acordamos” e saímos do modo de viver no
piloto automático e ficamos conscientes do jogo que estamos
fazendo, queremos mudar. Queremos fazer diferente.
Mas
hesitamos. Racionalizamos… Pensamos nas coisas que perderemos…
Não queremos abrir mão disto, daquilo… Seremos criticados…
pessoas próximas que não irão “aprovar”… Adiamos uma vez… mais
adiante, novamente… Até que um dia somos forçados a mudar…
pelos acontecimentos… O jovem que, de repente, precisa começar
a trabalhar mesmo antes de escolher sua profissão. O jovem
executivo que vê a empresa ir para trás… O presidente que fica
doente e no hospital é obrigado a pensar sobre a vida que leva
e a questionar os jogos nos quais está metido…
A mesma coisa
com empresas. Elas vão adiando mudanças, adiando…adiando. Até
que a empresa começa a ficar no vermelho, a perder mercado. Ou
então governos que vão convivendo com sistemas doentes,
introduzindo uma melhoria cosmética aqui e acolá até que algo
maior, “inesperado”, explode. É o equivalente à situação do
executivo que só decide mudar quando já está na UTI…
Quão
livres para mudar?
Em nossa experiência com empresas nestes últimos 20 anos,
praticamente em 100% dos casos as pessoas sabem o que precisa
ser feito. Há diagnósticos e diagnósticos ano após ano. Está
nos corredores. Mas, na hora de decidir, surgem “n”
obstáculos: é a “matriz” que não vai aprovar, é a lei “x” que
não permite, é o acordo de acionistas que restringe, é o
congresso, são as limitações financeiras que tornam
impossível…etc.
No caso do jovem, é a falta de recursos, a
família que não vai deixar, é a “tradição” que força etc. No
caso do executivo em ascensão, são as necessidades financeiras
(filhos, escola…), é o cônjuge que será contra, o mercado que
está ruim etc. Até o presidente tem suas limitações: a imagem,
a reputação, as bases de apoio, a “equipe que não vai
entender” etc.
Quantas dessas limitações são artificiais? Até
que ponto essas barreiras “externas” são barreiras “internas”:
medo do risco, não saber lidar com as barreiras de forma
criativa, não ter paciência/persistência de “costurar”
estratégias de mudança etc.?
No fundo, sabemos que somos
absolutamente livres. Podemos dirigir o curso de nossa vida
para o lado que quisermos. Empresas mudam, renascem, entram em
áreas novas, vão para outros países, ousam buscar a liderança
mundial (caso da Embraco, de Joinville, que é a número 1 do
mundo em fabricação de compressores com fábricas inclusive na
China e na Itália).
Outras mudam de ramo radicalmente, como é
o caso da finlandesa Nokia, que antes de se tornar líder
mundial em telefones celulares, fabricava artigos de borracha
– pneus, botas e celulose. Pessoas mudam de profissão: há
médicos que são banqueiros, advogados que se tornaram
publicitários, executivos que dirigem ONGs etc. Há pessoas que
mudam totalmente o jeito de viver. Vendem suas posses, ficam a
zero de financiamentos. Decidem viver de forma simples,
precisando de muito pouco para os gastos do dia-a-dia. É o
conceito de “simplicidade voluntária”, que restaura o senso de
liberdade que as armadilhas do sistema haviam limitado.
Muita
gente quer estar livre. Mas muitos também têm medo da
liberdade. A questão que passa a incomodar é: o que fazer com
toda liberdade. Muitos de vocês – como espectadores, diriam
que essa é uma tarefa fácil. Rapidamente vocês pensariam em
muitas possibilidades. Mas, e como protagonista? Seria
diferente?…
No início deste ano, a Anita Roddick, a fundadora
da The Body Shop visitou a Amana. Veja abaixo trecho da
entrevista que gravamos com ela:
Anita Roddick: “Como
proteger-se contra essa invasão de consumismo, de passividade,
essa onda de não fazer nada, de ser cínico? Desafie-se. Eu
desafiava tudo quando era uma criança, mesmo estando em uma
escola católica, onde era muito difícil desafiar as coisas.
Mas tive alguns professores fantásticos, aos quais agradeço
por terem me estimulado a continuar desafiando tudo. Mas
desafiei minha escola, desafiei
negócios, desafiei a política. Porque nada disso importa se o
coração humano não estiver envolvido.
Desafiei os negócios por
só focarem o lucro, o que é pouco imaginativo. Não foca os
direitos humanos, os padrões ambientais, perdas de vidas. Só
foca dinheiro para um pequeno grupo de pessoas. Sempre
desafiei isso.
A melhor coisa para fazer, e isso é mágico
quando acontece, é encontrar dentro de você alguma coisa que
causa tanta indignação em seu espírito que leva você a querer
fazer algo a respeito. Não acredito muito em chegar nisso
apenas lendo. Pode até ser que aconteça. Mas acredito que se
chega por experiências.
Você tem muita sorte se tiver uma
família que entenda isso e o estimule a participar de todos os
grandes eventos, todas as grandes marchas acontecendo e o
estimule a observar, ver o que acontece, ouvir o que as
pessoas dizem quando saem da zona de conforto e fazem algo.
Encontre alguém, em sua vizinhança ou escola, que se sente da
mesma forma. Pode ser na Igreja, pode ser um professor. Faça
perguntas aos seus professores. O que os faria sair da escola
e marchar? Pergunte o que os aborrece no sistema. Reúna seus
tios, seus avós, seja um historiador e pergunte a seus avós o
que eles gostariam de mudar, onde eles vêem mais abusos, se
eles consideram isso institucionalizado ou não.
O que causa
indignação em você? As favelas? A pobreza? Depois de
descobrir, a coisa mais importante é educar-se a respeito.
Leia tudo que houver, visite todo web site que existir a
respeito. Isso pode ajudar.
Mas não espere que as coisas caiam
no seu colo. É preciso agir.”
Questão 3: Tenho muitas idéias,
mas…
Gostamos de ter idéias. Idéias pontuais. O que mais vejo
é pessoas que pegam “ganchos” isolados e soltam grande
quantidade de idéias fragmentadas, sem amarrações.
Acontece
com os jovens. “Parece que a área x é a de maior futuro…”
Sempre alguém tem histórias para endossar a opinião. Idéias
vêm aos borbotões. Muitas conversações, muitas idéias. Poucas
conclusões, poucas decisões. Quando há, são decisões sobre
fragmentos.
Executivos com idéias esparsas. Que resolvem
alguns aspectos. Mas não resolvem outros. Melhoram partes. Mas
não o todo.
O presidente que é bombardeado por idéias de tudo
quanto é lado. Para solução de fragmentos, e não para solução
do todo maior, do todo integrado.
Soluções e idéias para
resolver que equação?
Como dizia Einstein, o mais
difícil é a montagem da equação… Em nosso trabalho com
organizações, o “x” está sempre na formulação de equações que
consigam integrar todas as variáveis relevantes, de modo a
catalisar idéias capazes de resolver o todo, obviamente de
forma integrativa (e não de forma fragmentada).
É no processo de formulação da equação que aparecem as
limitações/restrições que estão embutidas em nosso modo de
pensar, em nosso modo de ver o mundo. É nesse processo que
aparecem nossos “preconceitos” sobre o que é possível e o que
não é possível.
Por exemplo, “impossível começar um
empreendimento sem dinheiro”; “impossível fazer o que gosta e
ganhar bem ao mesmo tempo”; “impossível buscar o melhor para
si e para todos ao mesmo tempo”; “impossível mudar a cultura
de 170 milhões de brasileiros em poucos meses”.
Normalmente, a
melhor equação para o contexto que estamos trabalhando
(transformação na forma de viver) sempre dará a impressão de
ser uma equação “absolutamente impossível” de ser resolvida.
As equações impossíveis são as melhores. São as que levam a
soluções radicalmente criativas. Fico sempre impressionado em
ver que tanto nas empresas como no âmbito governamental há
muita timidez e conservadorismo. Há um medo do radical, do
ousado. Associa-se alto risco a tudo que é radical.
Entretanto, as “soluções” tímidas/conservadoras podem embutir
riscos até maiores que as soluções radicais. É o risco de ir
empurrando com a barriga e a coisa estourar feio lá na frente
(prejuízo, perda de clientes, perda de mercado, no caso de uma
empresa), paralisia crônica, explosão de problemas (violência,
crime etc.) no caso de governos; jovens que entram em
carreiras que não querem; executivos que vão sendo levados
para trabalhos que detestam; presidentes que vêem tudo que
construíram se esvair em pouco tempo, exatamente pelo medo de
arriscar o que construíram…
Mas o que são “equações
impossíveis”? Mais do que definir, o melhor é mostrar alguns
exemplos:
“Como assegurar que o
trabalho/carreira de minha vida concilie minha vocação maior
com algo que eu ame fazer, me dê excepcionais níveis de
qualidade de vida (dê condições de conciliar perfeitamente as
dimensões pessoal/familiar/ profissional), excelente condição
econômico-financeira e seja algo contributivo de forma
sustentável para a sociedade?”
“Como assegurar que
minha carreira evolua de forma sustentável e de maneira que eu
não tenha que abrir mão de um só valor pessoal meu e me dê
imenso senso de realização em todos os sentidos, inclusive
quanto a dar significado à minha vida e ao fazer diferença na
sociedade?”
“Como assegurar que todo o meu
conhecimento, minha sabedoria e minhas competências possam ser
potencializadas em novos trabalhos/novos empreendimentos que
me tragam grande senso de realização, excelentes níveis de
retorno financeiro e excepcionais níveis de contribuição à
sociedade?”
“Como assegurar que todos os problemas existentes
no país sejam erradicados até o final do ano que vem através
de um grande esforço coletivo, num grande mutirão e 170
milhões de participantes genuinamente motivados/envolvidos e
que dêem o melhor de si, contribuam com o melhor que têm?”
Equações impossíveis,
criatividade radical
Montada a equação, idéias
criativas virão. Idéias radicalmente criativas irão surgir:
• jovens inventarão novos
tipos de trabalho, novas profissões; se não existirem
escolas/faculdades capazes de prepará-los para esses trabalhos
inéditos, eles irão atrás do que precisam onde quer que
estejam, numa abordagem de autodesenvolvimento e auto-educação/autotreinamento.
Construirão seu próprio plano de estudos, um conjunto de
disciplinas “sob medida” para o trabalho que estão inventando.
Criarão sua própria “universidade misto de virtual e
presencial”. Investirão em suas inteligências múltiplas, em
potencialização de sua imaginação, sua criatividade. Buscarão
polir “competências duráveis” (como a capacidade de pensar
estrategicamente, capacidade de fazer acontecer) e
permanecerão abertos para oportunidades inéditas que o futuro
trará;
• executivos irão criar carreiras híbridas antes
inexistentes, criarão “embriões” de novos negócios em áreas de
futuro (ecoturismo? socioturismo? nutricêutica? cosmocêutica?
“edutainment”= educação + entretenimento etc.) e irão
propô-las às empresas em que atuam; executivos irão trabalhar
para fazer com que as empresas em que atuam tornem-se
extremamente contributivas à sociedade; executivos irão propor
novas práticas e novas relações que sejam ganha-ganha
(conciliação do pessoal e do profissional com aumento de
produtividade) etc.;
• executivos mais seniores irão criar
novas profissões e novos empreendimentos em setores
emergentes, abrindo novos mercados de trabalho até em parceria
com jovens recém-formados etc.;
• presidente do país reinventa
seu trabalho e passa a ser o motivador maior do grande mutirão
que fará acontecer a “grande virada” do país a curto prazo; a
mídia como grande aliado desse processo de mudança cultural e
de trabalho coletivo/integrado;
• tanto os jovens como os
executivos poderão querer dar um tempo antes de dar o salto
para o novo. Alguns talvez irão querer passar alguns meses
viajando num “sabbatical” expedicionário e só então tomar a
decisão final. Esse contato com a “realidade real” (em
contraposição à “realidade reportada/ relatada”) poderá ser um
excelente alimentador do processo intuitivo.
Questão 4: Tenho que decidir, mas…
Estimulados pelas equações, muitos terão idéias radicalmente
criativas. Mas quem decide quais implantar?
Tanto no caso dos
jovens, dos executivos, do governo, o processo de decisão não
será algo lógico-racional. Como o processo que um computador
usaria. O momento de decisão é numa fração de segundo. A
decisão, a escolha que irá emplacar será sempre intuitiva,
algo muito pessoal e não “produto” de um processamento
técnico.
Muitas vezes no intuitivo já temos uma decisão. Mas
muitas vezes optamos, decidimos por outra coisa. Talvez aquela
que as análises lógico-racionais suportam. Ou talvez aquela
que nosso ego (guiado por falsos valores) escolhe e depois
racionaliza, explica.
Pessoas absolutamente presentes no agora
(não estão com a cabeça no passado, não são guiadas por
traumas do passado e nem estão no futuro, ansiosas, com pressa
ou preocupadas com o futuro, com o que ainda não aconteceu…)
tendem a honrar o intuitivo, confiam e vão em frente. Decidem
em fração de segundo. Muitas vezes, quando se dão conta, já
decidiram e estão indo…
Se as melhores decisões fossem as
definidas por análise lógico-racional, os computadores fariam
tudo por nós com vantagens. O problema é que, nas situações
mais relevantes, nunca temos todas as informações e nunca
sabemos tudo com certeza. Há muita ambigüidade, muitas
possibilidades, muitas incertezas. É nesse contexto que os
seres humanos são necessários…
É o jovem (o executivo, o
presidente) que aposta em seu taco e vai em frente (muitas
vezes a despeito dos “conselhos” de muita gente).
O que, na
verdade, dá essa autoconfiança para decidir e optar pelo
intuitivo? Quando o propósito está claro, é nobre e a intenção
é pelo bem comum, tudo fica mais simples. Estamos a
quilômetros da situação de querer conciliar todas as
variáveis, agradar a todos, buscar “médias pasteurizadas”.
Mas
esse é o processo de decidir pessoal/individual. Agora,
imaginem as decisões que são tomadas coletivamente. Seja na
empresa ou no país, não há tempo para amadurecer o diálogo até
que surja a decisão que seria o “produto nobre do grupo”. Em
organizações maduras, esse é o processo de tomada de decisão
em questões de essência: diálogos intensos até chegar-se a um
ponto ideal que reflita a sabedoria do grupo como um todo. Em
organizações disfuncionais, o “coletivo” nem existe. É um
ajuntamento de pessoas com interesses diferentes, propósitos
diferentes. Não há senso de comunidade. Ao contrário, a
organização é pontilhada de situações de conflito de
interesses. Muitas decisões nem são tomadas. Há diferentes
formas de paralisia e de adiamentos crônicos. Quando as
decisões são tomadas, elas acontecem em baixos níveis de
consciência. São as tais “decisões pasteurizadas”, que
refletem a “média aritmética” das posições que variam de 8 a
80… Muitas dessas decisões tomadas de forma “participativa”
são verdadeiros “frankensteins”, que mais atrapalham do que
ajudam na evolução da organização. A verdadeira/ genuína
decisão participativa exige comunhão de propósitos, valores
vividos de forma autêntica e princípios em linha com os
propósitos em torno dos quais as pessoas podem transitar sem
se perderem no periférico.
E quando se tratar de um indivíduo, uma só pessoa? Tudo fica
mais fácil?
Na verdade, não. Mesmo quando é só uma pessoa
decidindo sobre o caminho a seguir, é preciso levar em conta
dois “Eus” que convivem dentro de cada um de nós. Um é sempre
espontâneo, autêntico, verdadeiro, integrativo, cooperativo,
sem medos, sem qualquer tipo de defensividade. O outro é
defensivo, separatista, egoísta, competitivo. Na hora da
decisão, muitas vezes este outro eu predomina e as
transformações de base são sabotadas em prol da manutenção do
status alcançado, do poder, dos bens materiais conquistados
etc.
Mas é o eu espontâneo/autêntico/natural que intui, que na
fração de segundo sabe o caminho a seguir. É ele que sabe o
que fazer com a vida, como melhor vivê-la…
Questão 5: Já tomei
a decisão, mas…
“Boas idéias não geram resultados. Nem boas
decisões…”
É a implantação com excelência da idéia escolhida,
da decisão feita, que gera resultados. Essa é a importância do
fazer acontecer.
Como viver a vida? Buscando sempre o melhor,
fazendo tudo “de coração”, com persistência, paciência, com
atenção a sutilezas? Buscando um padrão 10 de excelência no
melhor “timing”? Criatividade tática para superar os
obstáculos que vão surgindo pela frente?
Sempre partindo para
a ação ao invés de ficar no diagnóstico e nos planos?
É na
fase de ação/implantação que os riscos surgem, se tangibilizam.
É na implantação que nossas competências ficam à prova. É
quando vemos em que estágio de evolução efetivamente estamos…
Somos faixas-pretas ou ainda não? Somos já “profissionais de
mão cheia” e até “tocamos de ouvido” (conhecimento tácito) ou
ainda somos “amadores”? Somos “atletas de fim-de-semana” ou já
somos “olímpicos” no que fazemos?
Competências para a
transição idéia-ação
Entrevistamos recentemente Sebastião
“Zumbi” Ribeiro do Nascimento, um líder comunitário de um
bairro próximo a Cubatão, no Estado de São Paulo. Alguém que
nós da Amana-Key unanimamente consideramos um “faixa- preta”
em fazer acontecer. Como todo faixa-preta, trata- se de alguém
que desenvolveu tudo que domina, através de muita, muita
prática…
Zumbi: “O segredo é a união. Porque eu sozinho nada
posso fazer. Mas, a partir do momento que a comunidade começa
a ver que, quando se junta, consegue realizar as
coisas...
Dinheiro, eu vou dizer, que é parte. Diria que é 50%. Sem ele,
não dá para concluir as outras coisas. Mas eu fico pensando: a
economia é uma coisa tão complexa e ela se torna mais difícil
quando se coloca um economista para resolver. Eu vejo pelo
menos a dona- de- casa, eu vejo minha mãe, ela não sabe nem
ler o nome dela, ela vive com um salário mínimo, e eu fico
impressionado... a gente consegue com R$200,00 chegar no final
do mês e ainda sobrar dinheiro. Então, o que é isto? Porque
ela não é economista. De repente, eu fico pensando, se ela
fosse ministra da economia talvez ela conseguisse. Porque ela
sabe que, com R$200,00, ela não pode fazer uma dívida de R$250,00.
Porque senão ela vai chegar no final do ano e ela já se
complicou e nunca mais paga a dívida. Mas ela consegue comprar
o arroz, o feijão, a carne. Sustentou seis filhos. Agora, por
que o economista não consegue? Porque realmente ele fez só a
parte teórica. Quando ele vai fazer a prática, acaba se ‘embananando’.
A gente está ainda engatinhando. Mas a gente sente que o
trabalho está crescendo. Olha, ter idéias boas, eu sempre falo
isso, todo mundo tem. Ter uma idéia boa é a coisa mais fácil.
Agora, tem que ter a idéia e tem que ter a ação. Por exemplo,
Santos Dumont tinha a idéia de voar. Mas se ele só ficasse
pensando em voar, ele nunca iria voar. Porque as asas nunca
iriam sair das costas dele. Então, na verdade, todo ser humano
tem boas idéias. Agora, a diferença é que tem pessoas que, às
vezes nem têm uma idéia tão boa, nem é tão fenomenal, mas ele
tem o espírito de ação. Então, eu costumo dizer que desde
pequeno eu tive esse espírito de ação. Porque minha mãe me
chamava quatro horas da manhã, para ir caçar coco no mato.
Porque a gente sobrevivia de coco babaçu. Então, se você não
levantasse quatro da manhã e chegasse lá cinco horas, já tinha
passado outro e já tinha tirado o coco. Desde cedo, minha mãe
ensinou para gente que a ação é mais importante. Ela dizia:
‘Você tem que levantar quatro da manhã, porque cinco já tem um
que passou lá.’ Isso deu na gente o que é ação. Então, quando
a gente pensa uma coisa : ‘Ai, é difícil...’. É, mas vamos
fazer…!
Uma mensagem minha para o pessoal é aquela mensagem
sempre do otimista. Eu tenho até uma frase que eu digo o
seguinte: ‘Mais vale a lágrima derramada por ter perdido do
que a lágrima derramada por não ter tentado.’ Então, eu acho
que é essa a mensagem que eu sempre deixo para as pessoas que
têm a oportunidade de passar na vida da gente, que a gente tem
sempre que tentar, tentar e tentar. Na vida a gente está
sempre aprendendo. A gente nunca deve dizer: ‘Ah, eu não posso
isso, eu não posso aquilo.’ Principalmente nesse país, hoje,
tem muita gente que diz: ‘Ah, eu vou embora deCubatão, daqui
do Estado de São Paulo, que aqui não dá mais.’ A nossa
cidade... nós vivemos em uma mina de ouro. Só que é uma mina
de ouro... O ouro é uma coisa, um metal nobre que dá lá nas
profundezas da terra. Então para você chegar nele, você tem
que passar por barro, rocha, pedra. Mas você chega no ouro se
você quiser. Então, nós estamos sentados aqui na nossa cidade
em uma mina de ouro. O que está faltando para a gente ter os
benefícios desse ouro? A gente vai ter que passar pelo barro,
vai ter que passar pela lama, passar pela rocha, até chegar
lá.”
Questão 6: Já estou
fazendo acontecer, mas…
Sim, já fomos à frente.
Estamos já em plena ação, mas a insegurança bate muitas vezes…
Será que foi o movimento certo? Será que ainda dá tempo de
voltar ao que era?
Ainda somos afetados por
nossos medos e “dragões” ou nosso nível de autoconfiança nos
faz estar concentrados em qualquer situação que surja à
frente?
Processo será linear?
Hesitações? Vontade de voltar à situação anterior? Criar
processos para manter a chama viva? Estar com a visão do
sonho, do propósito da equação a resolver sempre muito viva?
Ousadia para ir criando soluções inéditas a cada desafio que
for surgindo? Criando o novo em “pleno vôo”? Competências
humanas, polidez, respeito para conquistar aliados no caminho?
Fazer acontecer é
saber quebrar hábitos
Mesmo com a vida sob riscos,
pessoas não mudam de hábitos… Estamos cercados de exemplos de
pessoas que precisam mudar o
que comem, precisam de exercícios, precisam alterar o modo de
viver para curarem-se de doenças graves e não conseguem.
Se
fizermos uma analogia disso com a reinvenção de empresas, a
reinvenção do sistema de governo, é possível avaliar o desafio
que representa a necessidade de mudar o “jeito de ser” e o
“jeito de fazer”; ou seja, a “cultura” e hábitos de milhares
de pessoas…
Mas esse é o grande desafio em gestão: fazer
empresas e sociedades se anteciparem às megamudanças em
processo e irem se transformando, saírem da cultura e
hábitos/jeito de fazer do passado.
Isso requer competências em
catalisação de mudança cultural e competências políticas
(saber lidar com poder – seu e de outros). São raras as
pessoas que são “faixaspretas” em mudança cultural. Pessoas
capazes de fazer a necessária transformação da cultura vigente
efetivamente acontecer… Não somos preparados para isso em
nossas escolas e universidades…
• O jovem, aliás, tem um desafio nesse sentido: ele precisa se
descondicionar de uma série de coisas adquiridas em anos de
escolas para estar preparado “culturalmente” para lidar com o
futuro.
• Os executivos que buscam dar uma guinada na direção de sua
carreira/vida também precisarão se descondicionar, transformar
seu modelo mental/suas premissas, sua visão de mundo.
Todos
nós temos nossas teorias sobre tudo. Nossas crenças. Nossas
premissas, conceitos. Nossos sistemas de “valores” culturais,
nosso próprio “sistema” de julgar tudo ao nosso redor: o que é
certo, o que é errado. Temos nossas rotulagens. Temos nossos
conjuntos de “se… então…”. Temos até nossas próprias
definições. Até sobre as palavras que usamos, lemos, ouvimos.
E que até desencadeiam reações em nosso corpo, despertando
emoções e até interferindo em seu funcionamento…
É o nosso
“modelo mental”. Um modelo construído “cuidadosamente” por
anos e anos desde que nascemos. Com a contribuição de todos:
pais, avós, irmãos, amiguinhos, professores, tios, vizinhos e,
mais tarde, o padre, mais professores e, já adultos, colegas
de trabalho, chefes etc. E, é claro, as situações, nossas
ações e conseqüências e a interpretação que damos a elas –
obviamente já usando o “modelo mental” em vigor. Julgamos as
situações como certas ou erradas, boas ou ruins e até sofremos
a partir desses julgamentos. “Foi errado… deveria ter feito de
outro jeito…” e assim por diante…
Mas o que é nosso “modelo
mental”? É como um software que vai sendo alterado a cada dia,
na medida em que vamos mudando nossas crenças, teorias etc.
Pensamos através desse software e, nesse sentido, ele é –
muitas vezes – um elemento que intermedeia nossas relações com
tudo à nossa volta: outras pessoas, situações, a Natureza etc.
Nossas crenças políticas, econômicas, religiosas etc. nos
fazem analisar e julgar pessoas, situações e tudo ao nosso
redor de um certo jeito…
Através desse “modelo mental” e nossa
memória até analisamos o que aconteceu no passado. Através
desse “modelo mental” pensamos sobre o futuro, nos projetamos
nesse futuro, desenvolvemos expectativas e até desenvolvemos
medos, ficamos ansiosos, tensos. Passado e futuro até
interagem quando nossos “fracassos” e “sucessos” do passado
condicionam nossas expectativas sobre o futuro…
Através desse “software” – com esse “modelo mental” – podemos
também analisar o agora, o que vivemos instante a instante.
Analisamos e julgamos como bom, ruim e até ficamos irritados,
tristes, frustrados ou alegres, felizes… “artificialmente”.
Por que artificialmente? Porque comparamos o que acontece com
o conteúdo de nosso software e julgamos. Não é algo direto. É
algo indireto. Não é o que realmente vivemos. Há uma
intermediação.
E nessa intermediação até “resistimos” ao
próprio agora. Não honramos aquilo que está acontecendo.
Queremos que seja diferente. Ou ficamos cegos em relação àquilo
que realmente está acontecendo. E saímos da realidade. Da
realidade real.
Grande parte das pessoas identifica-se com o
modelo mental. Inconscientemente. Ou seja, estão identificadas
mas não sabem. Vivem a partir do software. Acham que são o
software com aquele modelo mental. E agem a partir dele,
obviamente. E criam o mundo em que vivemos: nosso
modelo mental analisa o agora, fica frustrado/irritado (porque
o julgamento do que está acontecendo o leva a esse estado) e
age com violência… Aliás “nós” é que agimos com violência
comandados pelo nosso modelo mental. O que, no fundo,
significa que foi nosso modelo mental que agiu…??
Mas são
nossas ações que criam o mundo em que vivemos… Ações que, por
outro lado, são geradas por um modelo mental…? A equação-chave
então é: Como “programadores”, o que nós podemos fazer em
relação a esse modelo mental se ele não nos serve mais da
melhor forma?
Questão 7: Estou bem,
mas…
A pessoa já está em outro
patamar. A transição está feita. Os resultados são excelentes.
Finalmente fazendo diferença. Grande senso de realização. Boa
qualidade de vida. Mas… também a sensação de que ainda falta
muito para chegar lá… Uma longa jornada à frente. As antenas
parecem captar mais e mais oportunidades de contribuição.
A vida parece valer a pena.
Finalmente a sensação de estar fazendo o melhor com a vida. A
sua em conexão com a de outros e com todas as formas de vida
existentes.
Seja o jovem que decidiu por
onde começar e já está indo em frente, seja o executivo que
decidiu reinventar seu trabalho ou o governante que age com
grande desprendimento e se coloca inteiramente a serviço do
bem comum, ainda terão – todos eles – “um mas”…. Talvez o
“mas…” só desapareça ao final da jornada, ao final desta vida…
Esse “mas…” pode ser 100%
positivo se a “insatisfação” for só o ímã que leva nossa
energia à frente. À frente para atender as necessidades que
vão surgindo em amplitude e profundidade cada vez maiores.
Oportunidades maiores de contribuição.
100% positivo se esse “mas…”
não nos tirar em momento algum do agora a ser vivido (sem
desvios para o passado ou para o futuro). A importância do
viver totalmente cada agora.
100% positivo se conseguirmos
estar – como dizemos na Amana-Key – totalmente em “Vzero”, ou
seja, num estado de calma, de velocidade interna zero (ou
seja, sem ansiedades, sem estresse).
100% positivo se
assumirmos totalmente nossa liberdade de
decidir/escolher/agir. Sempre temos a escolha, mesmo quando as
coisas acontecem a nós. Podemos mudar a situação, nos
afastarmos dela ou aceitá-la (ao invés de só querer que seja
diferente do que está acontecendo).
100% positivo se
conseguirmos estar o tempo todo em nosso melhor estado,
decidindo/agindo na fração de segundo do agora, honrando o
intuitivo (ao invés de deixar nosso software assumir o
controle de nossas vidas pelo lado analítico/lógico/racional).
Há pessoas e organizações inteiras (empresas, comunidades) que
deliberadamente decidem viver em permanente estado de
transição. Gosto dessa idéia. É como vivermos em permanente
estado de atenção para viver as surpresas que acontecerão a
cada dia (ou hora, minuto…?). E numa “fração de segundo”
poderemos mudar totalmente nosso futuro e o de milhões de
pessoas. Poderemos mudar totalmente o futuro de nossas
organizações e do próprio país, da sociedade maior. Isso
significa que a cada segundo o futuro está sendo construído
por todos nós. Esse é o mistério da vida que nos faz, de um
lado, extremamente pequenos, interdependentes e humildes. E de
outro, extremamente poderosos. Sua decisão e sua ação na
próxima fração de segundo poderão fazer grande diferença. O
que você está fazendo com sua vida?
www.amana-key.com.br •
motomura@amana-key.com.br
*Oscar
Motomura, diretor geral da Amana-Key, empresa
especializada em inovações radicais em gestão.
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