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Planos para
picos e vales
Criar condições
para crescer é só metade da tarefa. Criar condições para continuar bem
nas fases de refluxo é a parte mais relevante.
*Por Oscar Motomura
O credo da Johnson & Johnson -
documento que expressa sua filosofia de gestão e orienta
suas atividades há mais de 60 anos - contém uma frase
singular: "Reservas devem ser criadas para enfrentar tempos
adversos". Num cenário global repleto de surpresas, essa
recomendação cresce em importância. É a era de "bolhas" de
mercado de variados tipos, que são, em grande parte, reflexo
de um "efeito pêndulo". Quanto maior a "febre" e a euforia
nos picos, maior o vale no refluxo. A essa altura, o sistema
vigente desenvolveu mecanismos de proteção em relação aos
refluxos. Mas, como o processo depende do comportamento dos
mercados, de governo e das próprias empresas, a incerteza
continua sempre presente. E as empresas? Têm mecanismos de
proteção? Criam estratégias apropriadas para picos e vales?
Nossas pesquisas indicam que são raras as que o fazem de
forma equilibrada. Todo investimento parece se concentrar na
geração de crescimento a qualquer custo.
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Com o
uso da imaginação é possível transformar
períodos de baixa em momentos de evolução |
A causa mais
visível dessa distorção parece estar em nossa
formação. Estamos despreparados para enxergar a
dinâmica do contexto pela perspectiva dos grandes
ciclos, considerando o todo com suas
interdependências. Por isso, precisamos de uma
reserva para tempos adversos - algo simples, nada
muito diferente dos conceitos de provisão, seguro e
hedging já consagrados na cultura empresarial. Fazer
essa provisão é o passo básico. O refinamento
consiste em como empregá-la durante os vales. A
idéia não é usá-la apenas defensivamente. Ao
contrário, o mérito está na forma imaginativa capaz
de transformar períodos de baixa em momentos de
evolução.
Na prática, significa uma
gestão de riscos com um estilo mais empreendedor. Isso me
lembra a história de Den Fujita, que introduziu o McDonald's
no Japão. Segundo ele, ao pensar num projeto, o empreendedor
deveria dividir seu capital inicial em três montes iguais, e
usar apenas o primeiro para tentar viabilizar o negócio. Se
tivesse sucesso, teria dois montes de reserva. Se não, em
último caso, apelaria para o segundo monte. Isso deveria
reverter o quadro e levá-lo ao sucesso. Do contrário, ele
deveria encerrar as atividades e começar tudo de novo. Ou
seja, dividir o terceiro monte em três para iniciar outro
negócio. Isso indica quão importante é formar reservas em
tempos de pico. E não apenas financeiras.
Muitas empresas perdem
oportunidades incríveis por não dispor de reservas de
talentos. Deixam de investir nelas, acreditando que sempre
podem "comprar" talentos "sob medida" quando necessário. E
acabam presas numa armadilha sistêmica: muitos setores em
expansão levam à escassez de talentos. Para organizações com
foco obsessivo em resultados de curto prazo, criar reservas
pode parecer um luxo... Mas, quando a necessidade surge, só
resta lamentar a decisão de ter colocado todos os ovos (mais
os ovos do banqueiro) numa cesta só. A propósito, a cultura
de sua empresa está preparada para lidar criativamente com
os desafios das épocas de vale?
www.amana-key.com.br •
motomura@amana-key.com.br
*Oscar
Motomura, diretor geral da Amana-Key, empresa
especializada em inovações radicais em gestão.
Fonte:
Revista Época Negócios
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