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Forme um time
criativo
Se a empresa
contratar somente pessoas conformistas e obedientes, terá
padronização burocrática e clientes insatisfeitos, afirma o
fundador da Amana-Key, um educador que já treinou mais de 30
mil executivos
*Por Oscar Motomura
Esta entrevista foi feita com
perguntas de leitores enviadas pelo site
www.epocanegocios.com.br.
Todos os meses, aqui, uma personalidade do mundo do
conhecimento responderá a questões dos nossos leitores.
Educador de altos executivos,
o carismático Oscar Motomura sabe como cativar seus alunos.
Pergunte a alguém entre os mais de 30 mil profissionais que
já freqüentaram seus cursos e workshops na Amana-Key,
instituição paulistana fundada com a sócia Deise Fukamati e
especializada em gestão, estratégia, liderança e na
reinvenção de organizações. Observador atento e perspicaz de
como as emoções influenciam os negócios, esse administrador
de empresas e psicólogo percebeu, há duas décadas, diversas
tendências que só agora se materializam. Motomura
concentra-se, sobretudo, no fator humano, como deixa claro
nas respostas que deu às questões formuladas por nossos
leitores.
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"A
essência da maestria é fazer acontecer com
leveza e consciência" |
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| 1.
Como o senhor
descreveria as competências essenciais para
uma liderança eficaz? Existe alguma receita?
Marcos
Moreira | Fortaleza, CE |
Essenciais são as competências humanas,
de quem "entende de gente" pela prática,
numa grande diversidade de pessoas e
situações. Que propicia, inclusive,
diferentes encontros com seu próprio
ego... Mas não há receitas (embora
muitas empresas trabalhem com algum tipo
de prescrição e, por isso, fiquem cegas
para a essência das coisas). Quer uma
dica? Desafie-se o tempo todo com
questões que evitem acomodação em zonas
de conforto: liderança visando a números
ou bem-estar? Para si, para poucos ou
para todos? Como seria liderar em
contextos difíceis, de recessão,
guerras, corrupção?...
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| 2.
Como um
executivo ou uma executiva pode energizar
sua equipe a fim de melhorar os resultados?
Nayara Cristina da
Silva | Trindade, GO |
Tudo
depende do contexto e das pessoas
envolvidas. No fundo, os executivos
sabem o que fará a motivação de seu
pessoal ser potencializada. A hesitação
e a insegurança estão associadas à falta
de confiança na intuição e no que
sentem, principalmente se as medidas
imaginadas forem diferentes em relação
às práticas mais aceitas no meio
empresarial.
Não
há fórmulas. Um ponto para reflexão
nesse sentido: como gerar o tipo de
motivação que os voluntários têm? Como
motivar de maneira genuína, sem nenhum
tipo de prêmios artificiais? Como
motivar com foco em algo maior, para a
sociedade e o planeta?
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| 3.
É realmente
eficaz para a empresa ter uma política de
treinamento de seus empregados?
José Carlos Lucena | Rio de
Janeiro, RJ |
Política no sentido de diretriz,
filosofia de educação e desenvolvimento
de pessoas para o futuro? Sim, com
certeza. "Política de treinamento" como
jeito oficial de fazer, que engessa,
não. ( Melhor não ter, pois assim os
próprios líderes tenderão a criar formas
inovadoras e "sob medida" de capacitar
suas equipes.) Treinamento no sentido de
"adestramento", condicionamento mecânico
de pessoas, não. No sentido de acumular
informação e conhecimento, não. Para
usar bem o conhecimento a serviço do
cliente e da sociedade, sim. Só teoria,
não. Maestria em fazer acontecer, sim.
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| 4.
Como
conciliar a necessidade de padronização nas
empresas com criatividade e inovação?
Samuel Rezende | São
Leopoldo, RS |
Antes de tudo, com o essencial: um time
de pessoas criativas. Mesmo com muita
padronização, elas tenderão a inovar. Se
a empresa seleciona somente pessoas
conformistas e obedientes, terá
padronização burocrática e insatisfação
dos clientes. Procedimento-padrão só
gera perfeição com máquinas. Se há
pessoas envolvidas, o processo é
"biológico" e precisa da engenhosidade
humana para funcionar bem. E, no
biológico, o fundamental é ter
princípios (que padronizam a essência e
não a forma, e deixam espaço para o "sob
medida").
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| 5.
O RH pode
identificar talentos natos que não comprovam
qualidades no currículo?
Eduardo Reis | Rio de
Janeiro, RJ |
Vejo
a capacidade de detectar talentos mais
freqüentemente em empreendedores de
grande sucesso (talentos detectam outros
talentos?). Livres das "exigências
institucionais" das grandes corporações,
que tentam padronizar o processo de
seleção e promoção de talentos, esses
empreendedores podem se dar ao luxo de
ser intuitivos ao montar suas equipes.
Aqui, os gênios autodidatas têm mais
chance. Mas é bom lembrar que os
verdadeiros gênios criam as próprias
oportunidades, quando decidem fazê-lo.
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| 6.
Como aliar
produtividade e resultados exigidos pela
empresa à qualidade de vida e bem-estar da
equipe? Edson Bucci |
Campinas, SP |
Em
teoria, uma coisa deveria alavancar a
outra. A pergunta provavelmente nos
remete aos extremos: métodos de atuar
sobre produtividade que comprometem o
bem-estar da equipe, e o contrário
(equipe muito bem e produtividade em
declínio). O desafio é de equilíbrio e
de criatividade radical, "fora da
caixa". E não mirando o nível de 50/50,
mas de 100/100 (máxima produtividade e
máximo bem-estar). E isso só se consegue
se todos (da cúpula à base) trabalharem
a equação 100/100 em conjunto.No fundo,
não é difícil chegar ao ponto ideal.
Difícil é assegurar que a cúpula
participe desse processo de criação
conjunta.
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| 7.
Qual a sua
avaliação a respeito das ações de
responsabilidade social das empresas no
Brasil? Roberto
Linhares | Belo Horizonte,BH |
Vejo
com otimismo. Fala-se mais a respeito e
o tema (assim como o da responsabilidade
ecológica) está mais explicitamente na
mesa de decisão.Algumas empresas estão
totalmente engajadas, da cúpula à base,
tanto no social como no ecológico. E é
algo genuíno. Em outras, é algo parcial,
tímido, controverso. Há ainda outras que
fazem só o que dá ganho de imagem. Não é
autêntico. E, é claro, temos as que nada
fazem e assumem que nada têm a ver com o
assunto. No fundo, trata-se de algo
complexo. Uma mudança cultural de toda a
comunidade de negócios. E temos como
acelerar.
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| 8.
Como
empreender um negócio econômica e
ambientalmente sustentável, num mundo cada
vez mais disperso pelos avanços
tecnológicos? Gledson
Silva | Brasilia, DF |
Sendo uma pessoa centrada em um
propósito maior, com a intenção genuí-na
de servir à sociedade e ao planeta.
Tendo isso como núcleo de tudo, torna-se
possível "surfar" nesse mundo disperso,
diverso, em contínuo processo de
transformação, dependendo cada vez menos
de uma "ordem hierárquica." E contando
cada vez mais com o poder aglutinador
dos propósitos que visam ao bem comum e
à força da auto-organização. E quanto às
competências para "surfar" com grande
eficácia nesse ambiente fluido e em
contínua mutação? Essa deixo para você
pensar...
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| 9.
Como formar
empreendedores se há tão pouco sendo
desenvolvido com as crianças nas escolas?
Zailton Cardoso de
Miranda | Lorena, SP |
ENosso maior desafio está na educação.
Mas na educação de todos, principalmente
de adultos em todas as áreas e
profissões. Educação e reeducação
inclusive de líderes no governo, nas
empresas, nas escolas, na sociedade como
um todo. Como falar de crianças sem
tratar da educação, reeducação dos
próprios pais, dos próprios professores?
Como falar do pouco que se faz pelas
crianças sem tratar do muito que se faz
pela deseducação delas no dia-a-dia?
Como podemos sair dos diagnósticos e
críticas e partir para as soluções? Não
seria o que os cidadãos-empreendedores
fariam?
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| 10.
Qual a melhor
herança que podemos deixar para nossos
filhos? Sergio Lazzari
| São Paulo , SP |
Em
minha opinião, é a capacidade de fazer
acontecer, que é chave em qualquer
atividade. Mas há jeitos e jeitos de
fazer isso. Fazer com consciência
significa levar em conta o bem comum (a
essência da ética). E fazer com leveza
(em contraposição a fazer com excesso de
esforço e estresse) é a essência da
verdadeira maestria. Nosso melhor legado
é assegurar que desde pequenos nossos
filhos sejam polidos nessa competência,
nesses valores, nesse jeito de ser. Não
dá para deixar isso para a escola nem
para a faculdade...
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| Fonte:
Revista Época Negócios
Leia mais perguntas feitas a Oscar Motomura
A história
profissional de Oscar Motomura já é um bom
indício de que seus conselhos valem a pena.
Aos 16 anos, começou a carreira como
office-boy em um banco na capital paulista.
Progrediu na empresa e, aos 26, já estava na
diretoria. Hoje, ele não é só mais um mentor
do mundo dos negócios. Fundou a instituição
Amana-Key - um centro de excelência em
gestão de alcance mundial com núcleo em São
Paulo - e fez a diferença na trajetória de
mais de 30 mil executivos de todo o Brasil.
Educador na área de treinamento, Motomura
radicalizou a vida de centenas de empresas.
Uma delas é O Boticário, cujo presidente,
Miguel Krigsner, decidiu demitir parte da
diretoria do grupo depois de participar do
Amana-Key. O motivo? Descobriu que a equipe
não estava devidamente integrada à
administração.
A edição de
julho de Época NEGÓCIOS trouxe perguntas que
você, leitor, fez ao educador Oscar
Motomura. Veja abaixo questões respondidas
pelo educador exclusivamente para o site.
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| Um bom líder
deveria estudar Psicologia para melhor
administrar sua inteligência emocional e
social? Márcia Rezende
- São Paulo (SP) |
Oscar Motomura
- Psicologia e também Filosofia,
Sociologia, Antropologia, Política,
Diplomacia, Teologia, Biologia, Nova
Ciência, Artes...? Mais leituras
diversificadas? Conhecer pessoas de
outras culturas, todos os níveis
sociais, de diferentes regiões,
diferentes religiões? Num mundo cada vez
mais fragmentado, há carência de líderes
mais redondos, mais conectados à vida em
seu sentido mais amplo. Ponto para
reflexão: Como pessoas excepcionais, que
até lideram comunidades em condições
muito difíceis, são 360 graus e têm
refinado nível de inteligência emocional
e social, quase sem terem tido educação
formal...?
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| Como
profissionalizar uma empresa familiar na
qual os donos não querem deixar o poder?
Geraldo Corrêa - Barretos
(SP) |
Motomura -
O risco maior está na mudança cultural
abrupta que pode fazer a organização
perder força e decair. O exemplo
clássico é o da empresa familiar fundada
e dirigida por empreendedores durante
décadas, que se profissionaliza e traz
profissionais de mercado que não são
empreendedores. Se, entretanto, os
profissionais forem muito bem
escolhidos, tudo bem. Fica só a questão
do poder. As resistências iniciais dos
que têm de abrir mão do poder são
absolutamente normais e é algo da
natureza humana. É preciso administrar a
transição com muito respeito por todos.
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| Como deve ser o
fluxo de informação da empresa para obter
respostas rápidas?
Luciano Rieth - Curitiba (PR) |
Motomura -
Deve- se honrar o equilíbrio entre
baixa, média e alta tecnologia,
"tecnologias humanas", além de um
excepcional cuidado com questões de
natureza cultural (exemplo da diferença
entre jovens e seniores e a questão da
tecnologia). Importante aqui é focar o
final do processo e fazer o design de
trás para frente. O objetivo-fim de tudo
é a velocidade e qualidade das
decisões-chave. Todo o sistema de
informações deve estar a serviço disso e
das pessoas-chave envolvidas (que devem
participar intensamente do design).
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| Na sua opinião,
muita teoria deixa as pessoas muito
metódicas? Bruno
Mendes |
Motomura -
"Metódico" em que sentido? No sentido do
aprendiz (teórico demais) querer que a
realidade se ajuste à teoria que tem? Ou
seria no sentido do excesso de teoria
forçar a prática a se tornar estruturada
demais e tirar a naturalidade do
processo e a riqueza do resultado? Em
minha opinião, as duas situações
ilustram formas possíveis de fazer com
que algo em grande parte intuitivo e
extraordinário (o processo de como o ser
humano aprende e evolui em contato com a
realidade) venha a ser reduzido a um
processo racional, mecânico e
fragmentado.
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www.amana-key.com.br •
motomura@amana-key.com.br
*Oscar
Motomura, diretor geral da Amana-Key, empresa
especializada em inovações radicais em gestão.
Fonte:
Revista Época Negócios
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